O mar, é um rico e fértil território para o desenvolvimento de mitos e lendas.

Apesar de toda a tecnologia - GPS, radares e sonares - quem se aventura pelo mar ainda mantém algum tipo de superstição. Esta superstição pode ser desde um amuleto da sorte ou azar. As superstições marítimas são bastante antigas, e pertencem a uma época em que a navegação tinha muito mais componentes de sorte do que de segurança e planejamento. Essa precariedade fez com que os antigos marinheiros desenvolvessem crenças de modo a que pudessem sentir algum conforto e esperança contra o medo da desgraça e da morte.

Hoje em dia, apesar de toda a segurança disponível, busca e resgate de bombeiros e marinha, o mar ainda reserva surpresas e mantém-se por vezes bastante imprevisível. Algumas superstições marítimas mais conhecidas e que chegaram aos nossos tempos são:

  • Nunca rebatizar uma embarcação;
  • Colocar uma moeda de prata sob o mastro quando se constrói a embarcação;
  • Nunca dizer “boa sorte” a alguém que esteja numa embarcação;
  • Não dizer a palavra "coelho" a bordo;
  • Não aceitar plantas nem flores a bordo;
  • Não sair (de um porto) a uma sexta-feira.

As origens de cada uma das superstições muitas vezes têm uma explicação lógica: "coelho" porque os roedores tinham o mau hábito de roer os cascos dos navios quando eles eram em madeira e eram terminantemente proibidos a bordo; as flores, porque consumiam água doce, o bem mais precioso no mar; sair à sexta-feira porque antigamente os marinheiros eram pagos à sexta-feira, e encontrar um a bordo em estado de servir era impossível. No entanto apesar das explicações o ideal, nem que seja para conforto da alma, é mesmo respeitarmos as superstições!

Parte delas devem-se ao mistério e ao desconhecido que habita as paragens longínquas e parte é imaginação. Há muito se ouvem histórias sobre monstros e criatura marinhas, fantasmas que assombram os oceanos. A figura mítica de Odisseus na sua trágica desventura de retorno à ilha de Ítaca, talvez tenha sido o primeiro a sofrer a fúria e as paixões das terríveis criaturas marinhas. Podemos destacar o episódio das sereias encantadas, que, com seus cantos, levavam homens e almas para o fundo do mar. Instruído sabiamente pelos deuses, Odisseus resolve o enigma: manda a sua tripulação tapar os ouvidos com cera de abelhas para que não ouvissem o canto temeroso das sereias e simultaneamente pede à mesma que o amarre ao mastro principal sem a cera nos ouvidos de modo a puder ouvir tão temeroso canto.

Em outras histórias dizem que as sereias habitavam os rochedos entre a ilha de Capri e o norte da Itália. Eram tão lindas e o seu canto tão doce que atraíam os tripulantes dos navios que por ali passavam,fazendo-os colidirem com os rochedos e afundarem...No Triângulo das Bermudas, navios e embarcações misteriosamente desaparecem sem deixar vestígios. Algumas dessas lendas têm origem na realidade e histórias sobre este lugar continuam a surgir.

As superstições, mitos e lendas, residem neste espaço entre a realidade, os fatos e a imaginação.

Confira!